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TPLO

 

O Hospital Veterinário do Porto tem ao dispor dos colegas a nova técnica cirúrgica para resolução de ruptura do ligamento cruzado anterior, denominada de Tibial Plateau Leveling Osteotomy (TPLO) e que tem, de longe, o melhor prognóstico de todas as técnicas cirúrgicas utilizadas até o momento. Passamos a descrever algumas particularidades da técnica. A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é a causa mais comum de claudicação do membro posterior do cão. Esta lesão origina alterações degenerativas na articulação do joelho, incluindo lesões cartilagíneas e ósseas. A TPLO é eficaz na correcção da ruptura dos ligamentos cruzados, repondo uma função articular normal.

 

Biomecânica

 

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      Fig. 1

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Fig. 2


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           Fig. 3

 

Apesar das articulações dos joelhos dos cães e dos humanos serem similares, as forças aplicadas nas superfícies dessas articulações ao suportar o peso corporal são muito diferentes. Isto deve-se às diferenças de configuração anatómica. Como um carro numa superfície plana não tem tendência para deslizar, nos humanos, as articulações das ancas, joelhos e tornozelos são paralelas entre si e perpendiculares à superfície de sustentação do peso, o pé. Assim nós podemos manter-nos de pé facilmente sem fazermos muito esforço nas articulações. Os cães, no entanto, apoiam-se nos seus dedos, com os tornozelos inclinados e os joelhos dobrados para a frente (Fig.1). A porção superior da tíbia canina (meseta tibial ou “Plateau” tibial) é inclinada. Ao suportar o peso corporal cria-se uma força compressiva do fémur sobre o declive da meseta tibial obrigando a tíbia a deslocar-se cranialmente (Fig.2). Esta força é denominada deslocamento craneal da tíbia. Este deslocamento é apenas limitado pelo ligamento cruzado anterior. Tal como um carro numa superfície inclinada tem a tendência a descer o declive, o ligamento funciona como um cabo preso ao carro, evitando que desça (Fig.3). Em cada passo que o cão dá é sempre o ligamento que está sujeito a esforço. Ao longo do tempo, cães com uma grande inclinação da meseta tibial sujeitam o ligamento cruzado anterior a um enorme esforço. Assim, quando o deslocamento craneal da tíbia é exagerado significa que existe ruptura de ligamento cruzado anterior (Fig.4).

 

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      Fig. 4

 

Rupturas do LCA apresentam-se clinicamente em várias formas. Existem acidentes particulares que causam ruptura completa aguda, associada a dor severa e claudicação sem apoio do membro. Outras rupturas ocorrem em pequenos incrementos ao longo do tempo sendo denominadas como rupturas parciais do LCA. Este tipo de rupturas caracterizam-se por uma dor ligeira e uma claudicação moderada associada a perda da capacidade atlética. Quando rupturas parciais evoluem para rupturas completas, esta transição é geralmente gradual.
Outras duas estruturas importantes nos joelhos são os meniscos lateral e medial (almofadas cartilagíneas). Estas estruturas estão também sujeitas a lesão quando o joelho se encontra instável devido a ruptura do ligamento cruzado. A técnica TPLO é a mais indicada para pacientes activos de médio e grande porte pois proporciona uma estabilidade notável sobre esforços extremos repetidos. As técnicas cirúrgicas tradicionais para este tipo de pacientes requeriam longos períodos de repouso completo de modo a permitir a cicatrização do ligamento cruzado anterior de substituição sintético ou natural. Este tipo de técnicas são falíveis pois a restrição completa do exercício neste tipo de pacientes por longos períodos é quase impossível. Qualquer tipo de actividade pode levar à ruptura do ligamento artificial e/ou colaterais, a uma flexão incompleta do joelho e a fraca capacidade atlética.

 

Sinais Clínicos

 

Uma vez rupturado o LCA, a tíbia desliza cranealmente e o fémur fica livre deslocando-se na meseta tibial, tal como o carro irá descer uma inclinação assim que o cabo é quebrado. Os meniscos são muitas vezes danificados pois o fémur desloca-se sobre estes. Quando o ligamento ruptura ocorre tumefacção do joelho e uma claudicação severa. Se não for estabilizada rapidamente, a articulação tornar-se-á dramaticamente artrítica ao longo do tempo. Repouso e terapia anti-inflamatória têm pouco efeito sobre a dor e a claudicação que o cão apresenta.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico é feito após uma demonstração clara de deslocamento craneal da tíbia exagerado (teste de gaveta). O diagnóstico é fácil em rupturas agudas e completas, mas pode ser mais subjectivo em rupturas parciais ou crónicas. Uma sedação ligeira pode ser necessária de modo a permitir um relaxamento muscular e a obtenção de radiografias, para demonstrar a presença de alterações artríticas.

 

Técnica Cirúrgica TPLO

 

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     Fig. 5

 

A osteotomia de nivelamento da meseta tibial (TPLO) é usada para neutralizar o efeito do deslocamento craneal da tíbia (Fig.5). Basicamente, esta técnica vai nivelar a meseta tibial através de uma osteotomia com curva da tíbia e posterior ajustamento num ângulo pré determinado, de modo a que a nova posição da meseta tibial anule a necessidade de existir o LCA como restritivo (Fig. 6). Por outras palavras, em vez de substituir o cabo que quebrou, esta técnica vai anular o declive da superfície, eliminando a necessidade de um novo cabo.

 

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         Fig. 6

 

Lesões meniscais são também corrigidas durante a cirurgia de modo a prevenir futuras alterações artríticas na articulação. Cuidados Pós Operatórios A cicatrização demora cerca de dois meses para o osso e um pouco mais para os tecidos moles. Uma restrição de exercício é obrigatória durante o processo de cicatrização. Como o novo nivelamento da meseta tibial permite uma rápida diminuição da dor articular, o maior problema durante a recuperação é a actividade excessiva do paciente antes da completa cicatrização óssea. A maioria dos pacientes retoma uma actividade completa ao fim de 3 a 4 meses. Os pacientes podem recuperar a sua performance atlética (caça, provas de agilidade, corridas de cães) geralmente ao fim de 6 meses de pós-operatório.    

 

Dr. Mário Santos, MV

   

Publicado em www.hospvetporto.pt

 

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